Ensino público
SOS Educação é o tema desta terça na Câmara de Pelotas
Debate sobre a rede municipal começa às 18h
Gabriel Huth -
As atenções eram para estar voltadas ao ensino. O alvo central deveriam ser estratégias para tornar o processo de aprendizagem prazeroso. Mas não tem sido assim. A longa lista de problemas na Escola Municipal Núcleo Habitacional Getúlio Vargas não permite. A precariedade vai da falta de professores à infraestrutura. Buracos no piso, rachaduras nas paredes, janelas emperradas, deficiências na rede elétrica e pilares com a ferragem à mostra na quadra coberta são apenas parte do descaso.
O cenário - que não lembra em nada o ambiente acolhedor de uma escola - será um dos temas abordados em audiência pública nesta terça-feira (27), a partir das 18h, na Câmara de Vereadores de Pelotas. O encontro, batizado de SOS Educação, apresentará radiografia dos principais problemas da rede municipal.
Nesta segunda, ao percorrer a Escola Getúlio Vargas, o Diário Popular conversou com o grupo que acaba de assumir a direção. E, ao projetarem o trabalho durante os três anos de gestão, os professores firmam posição: uma nova escola é possível. Mas exigem contrapartida da prefeitura para conseguirem tirar os projetos do papel. "Este é um espaço de cidadania, de dignidade e de respeito. Como vamos conseguir trabalhar assim?", cobra a vice-diretora, Eliana Fonseca. E endurece o tom ao se referir à falta de fiscalização e de investimentos ao longo dos anos.
Cobre aqui, descobre ali
O quadro de professores não para de encolher na Escola Getúlio Vargas. Entre vagas em aberto e licenças - de interesse, prêmio e de saúde - são 13 profissionais a menos em 2018. Para não deixar a criançada sem aulas, portanto, o jeito tem sido fechar a biblioteca, cancelar atividades de apoio e deixar a hora do conto - tão aguardada pelos pequenos - para depois. Medidas que indignam quem vê o planejamento pedagógico escoar pelo ralo.
"Competência nós temos. Sabemos o que temos que fazer, mas não é só com boa vontade que se faz", desabafa uma das coordenadoras pedagógicas, Istael Espinosa. E reforça: "Não vamos aceitar ficar aqui tapando furo. Precisamos de recursos humanos e estruturais".
Problemas - antigos - por todos os lados
Não raro, um dos alunos se agacha ou deita-se no chão e estica um dos braços. Mas, engana-se quem pensa que o ato faz parte de uma brincadeira. Não. É retrato da precariedade. A gurizada está, simplesmente, tentando resgatar o material que rolou para dentro de um dos buracos do assoalho. E alguns são grandes. O suficiente para, inclusive, machucar trabalhadores que já viram o piso afundar embaixo dos pés.
E este não é apenas o único problema das salas de aula. Parte do mobiliário também é velho. Em algumas cadeiras, o encosto está aos pedaços.
Do lado de fora, a lista de preocupações segue. Não há acessibilidade. Um dos portões não pode sequer ser aberto por falta de sustentação. A cisterna antiga e de cimento está localizada ao lado da rede de esgoto; o que vira risco de contaminação da água. E não para por aí.
No chalé, que um dia abrigou atividades do projeto Mais Educação, rombos nas paredes, infestação de pulgas e relatos - ainda não confirmados - de aparecimento de cobras. Resultado: o ambiente, que gostariam de ver destinado à disciplina de Artes, está desativado. E torna-se, até o momento, apenas mais um exemplo do antigo abandono.
A palavra da Smed
O secretário de Educação e Desporto, Arthur Corrêa, admite que os problemas estruturais da Escola Getúlio Vargas são sérios e serão resolvidos. O prazo para solução definitiva, entretanto, não anima. Ainda que a primeira etapa das obras de uma nova escola - em parte do terreno - começasse em 2018, seria bem no final do ano - adianta.
A intenção do governo é utilizar o mesmo projeto da Escola Piratinino de Almeida, no bairro Areal: "Só teríamos que fazer um estudo de solo para a Getúlio Vargas e com isso, aproveitando o projeto, ganharíamos de seis a sete meses".
Até as primeiras salas erguidas poderem receber alunos, a estimativa é de que, pelo menos, dez meses de trabalho sejam necessários - calcula o secretário. Na prática, portanto, os estudantes não devem ocupar nova estrutura antes de 2020.
Alguns números da Escola Municipal Getúlio Vargas
- Ensino Fundamental Incompleto (até o 5º Ano)
- Professores e funcionários: Cerca de 60 servidores
- Déficit de professores: 13 - entre vagas em aberto e licenças
- Alunos: Em torno de 500 crianças e adolescentes
Participe!
O quê: Audiência pública SOS Educação
Quando: Nesta terça-feira, a partir das 18h
Onde: Câmara de Vereadores
Proponente: vereadora Fernanda Miranda (Psol)
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário